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Margens dos derivados lácteos: como está a situação hoje?

As margens aparentes de lucratividade dos derivados lácteos vendidos pela indústria aos canais de distribuição e varejistas (o chamado “atacado”) têm evoluído de forma diferente nestes últimos meses. Enquanto que, em alguns casos, as perdas são reforçadas, em outros houve uma perceptível melhoria da situação da indústria. Vejamos, rapidamente, como está. 

Leite UHT – sem gorduras este ano...

A situação da indústria no leite UHT não mostra melhora nas margens estimadas até agosto deste ano. Como mostra o gráfico 1, depois do pico de margens em abril (bastante inferior ao de outros anos), a situação só vem piorando, ainda que as empresas de UHT sejam aquelas que têm feito maiores reduções nos preços ao produtor.

Gráfico 1. Margens aparentes da indústria UHT 

Fonte: elaborado pelo MilkPoint Mercado com dados próprios e do Cepea

O agravante, no caso do leite UHT, é que o produto não carrega praticamente nenhuma “gordura” de rentabilidade do primeiro semestre do ano, diferente do que aconteceu em muitos anos anteriores (observe no gráfico 2 as margens históricas do UHT por semestre).

Gráfico 2. Margens aparentes da indústria no leite UHT – 
Médias do 1º e 2º semestres dos anos (R$/litro)

Fonte: elaborado pelo MilkPoint Mercado com dados próprios e do Cepea

Como pode-se observar no gráfico 2, nos últimos 11 anos, o UHT teve margens superiores no primeiro semestre do ano em 5 deles. Em 2017, a gordura acumulada no primeiro semestre é pequena e, pior, o cenário de preços até agora no segundo semestre indica margens ainda mais negativas.

Muçarela em recuperação; leites em pó claudicando

No caso da muçarela, a situação de margens aparentes melhorou consideravelmente desde o início do ano, quando o produto iniciou no “negativo”. A maior estabilidade (ou melhor, as menores quedas) dos preços de venda da indústria e os ajustes nos preços da matéria-prima tem contribuído para este cenário (observe no gráfico 3 a evolução das margens aparentes da muçarela) 

Gráfico 3. Margens aparentes da indústria da Muçarela 

Fonte: elaborado pelo MilkPoint Mercado com dados próprios e do Cepea

Além da situação “média” melhor para os produtores da Muçarela, há neste mercado fortes diferenciações de custo de produção e preço de venda, em função da região de produção do queijo e do nível de diferenciação que a marca proporciona. Estes fatores podem melhorar ainda mais a situação média exposta no gráfico 3.

Para os leites em pó, as quedas dos preços da matéria-prima não compensam a perda de valor no “atacado” e as margens continuam bastante negativas (no caso do industrial integral – gráfico 4) ou muito próximas do zero (no fracionado, gráfico 5).

Gráfico 4. Margens aparentes da indústria no leite em pó integral indústrial 

Fonte: elaborado pelo MilkPoint Mercado com dados próprios e do Cepea

 

Gráfico 5. Margens aparentes da indústria no leite em pó integral fracionado

 

Fonte: elaborado pelo MilkPoint Mercado com dados próprios e do Cepea

Assim, se em resumo a indústria de forma geral tende a indicar e praticar quedas ainda fortes de preços pelo leite ao produtor, aquelas empresas mais atuantes no mercado de leite UHT tendem a forçar uma queda mais rápida e maior, em função de sua situação de margens, movimentação que tende a ser seguida (e não necessariamente “puxada”) pelo indústria do queijo e pela indústria do leite em pó, que tende a focar seus negócios atuais basicamente no fracionado; para aqueles com estoque de pó integral industrial a solução hoje é “sentar” no estoque e esperar até o mercado melhore (possivelmente só no ano que vem) ou fazer alguma venda “com perda”, para fazer caixa.

 

Fonte: www.milkpoint.com.br/mercado

Acessado em 19/09/2017