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Consumo cai, preços ao consumidor também

Os dados consolidados levantados pela Nielsen mostram queda generalizada no volume de venda de derivados lácteos, tanto no varejo tradicional brasileiro quanto na aferição varejo tradicional + Cash & Carry (o conhecido “Atacarejo”, para o período de janeiro a março deste ano. As variações de volume, por categoria láctea, para o primeiro trimestre deste ano (em relação ao volume observado no mesmo período do ano passado) aparecem no gráfico 1.

Gráfico 1. Variações dos volumes de venda ao consumidor final – Janeiro a Março (2019 vs 2018)

Fonte: Nielsen.
C & C = Atacarejo


Conforme já comentamos aqui no MilPoint Mercado em oportunidades anteriores, as vendas de lácteos no varejo tradicional caem, este ano, 6,7% em relação ao ano passado, com queda de 4,3% se consideramos também os números do Atacarejo (aqui pode haver contagem duplicada, já que muitas lojas de pequeno varejo tradicionais se abastecem no Atacarejo). 

Além do aumento da importância do Atacarejo na venda global de lácteos, tema que já foi destacado aqui em análise anterior (leia mais a respeito em “Atacarejo: um novo desafio para a indústria láctea”, publicado aqui no MilkPoint Mercado no dia 28/09/2017), algumas variações chama a atenção. O leite UHT, por exemplo, tem volume de vendas caindo 8,9% (considerando o número sem o Atacarejo) e, ao mesmo tempo, tem preço médio bem inferior à média verificada entre os anos de 2010 e 2018 – como mostra o gráfico 2.

Gráfico 2. Preços médios* do leite UHT no varejo da cidade de São Paulo (R$/l)

Fonte: IEA/FIPE.
*Valores deflacionados pelo IGP-DI.

Com relação aos preços do leite UHT ao consumidor final, os valores mais altos do que no ano passado para o primeiro trimestre deste ano certamente potencializaram a queda de consumo e volume de vendas os valores mais baixos do que no ano passado em abril e maior sinalizam a dificuldade de repasse de preços num cenário econômico como o atual. Ao mesmo tempo chama a atenção a redução do valor médio de venda do produto em relação a curva média de 2010 a 2018 – a categoria vem perdendo preço nas gôndolas dos supermercados.

Chama também a atenção a variação positiva dos volumes de venda de leite em pó (fracionado em sachet ou lata) e do leite fermentado. 

No caso do leite em pó fracionado, os preços praticados este ano no varejo são mais baixos do que 2018 e do que a média histórica 2010 a 2018 (com exceção do mês de abril - veja no gráfico 3). Um efeito de substituição, ainda que parcial, do leite UHT (que começou o ano mais caro) pelo leite em pó mais “em conta” pode explicar esta sustentação do consumo do produto.

Gráfico 3. Preços médios* do leite em pó no varejo da cidade de São Paulo (R$/l)

Fonte: IEA/FIPE.
*Valores deflacionados pelo IGP-DI.

No caso do leite fermentado, cujos preços médios no varejo aparecem no gráfico 4, há uma clara e sistemática redução nos valores de venda ao consumidor final do produto, o que pode ajudar a explicar este incremento do consumo, cujas vendas aumentam mais significativamente quando considero o canal Atacarejo na análise.

Gráfico 4. Preços médios* do leite fermentado no varejo da cidade de São Paulo (R$/l)

Fonte: IEA/FIPE.
*Valores deflacionados pelo IGP-DI.

No leite fermentado, a entrada de novos players no mercado com preços de venda bem menores do que os das empresas líderes explicam esta queda no valor da categoria e, em contrapartida, o aumento no volume de vendas.

De qualquer forma, numa avaliação geral, é crítica a queda de volumes de venda num mercado em que a oferta de leite (via produção e via importações) ainda está bastante estimulada (nada de novo nesta afirmação, repetida inúmeras vezes aqui no MilkPoint Mercado neste primeiro semestre). Ao mesmo tempo, assusta a perda de valor da maioria das categorias, o que certamente tem a ver com as dificuldades de repasses de preços da indústria ao varejo (no chamado atacado). No entanto, as informações fluem mal e este cenário custa a chegar no campo – aparentemente vai começar a chegar, de forma bem abrupta, agora no mês de julho (pagamento pelo leite de junho).
 
FONTE: MilkPoint Mercado