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COMO TRATAR DE VOLATILIDADE DO NOSSO MERCADO?

A volatilidade de preços no mercado lácteo brasileiro é um tema recorrente e bastante crítico para alguns elos mais “expostos” da cadeia produtiva – aqui aparecem principalmente os produtores de leite com sistemas de produção menos “flexíveis” em custos de produção e algumas indústrias cujos preços de venda oscilam bem menos que as commodities de mercado.


As oscilações de preços de mercado ao longo do ano não são exclusividade do leite – outros produtos relevantes do agro como a batata e o feijão são conhecidos pelas enormes variações de preço ao longo do ano e, principalmente, entre safras, coisa que acontece também com importantes produtos de exportação como a soja e o café.


A viabilidade de um contrato futuro de uma commodity qualquer está associada a duas características básicas do mercado: 

- Volatilidade diária de preços: (oscilação diária relevante de preços): esta oscilação diária atrai ao mercado os “especuladores” cuja presença, diferente do que se pode pensar, é benéfica, já que traz liquidez ao mercado;

- Número de agentes compradores e vendedores: o número de compradores e vendedores no mercado da commodity em questão deve ser grande o suficiente para não existir um player cuja movimentação individual tenha a capacidade de alterar os preços futuros da commodity.

Tratando aqui do tema volatilidade, comparamos a volatilidade diária de preços de dois dos derivados lácteos mais transacionados em nosso mercado atacadista (Leite UHT e Queijo Muçarela) com a volatilidade de commodities que já possuem contratos futuros estabelecidos – milho, café, boi gordo e dólar (moeda).

A figura 1 apresenta os gráficos com a volatilidade diária de preços destes produtos.

 
Figura 1. Volatilidade diária de preços de derivados lácteos e diferentes commodities


Fonte: dados diários do Cepea e do IEA

Em termos de relevância da commodity na B3, indicamos, na tabela 1, o número de contratos em aberto para cada uma delas e o respectivo vencimento do contrato


Para melhor comparação da variabilidade de preços entre as commodities, calculamos a média das variações diárias (em módulo) dos preços das commodities analisadas. O gráfico 1 apresenta estas médias para o período de 26 de julho de 2011 a 19 de fevereiro de 2019.

Gráfico 1. Média de variação diária de preço das commodities analisadas


Fonte: elaborado pelo MilkPoint Mercado com base em dados diários do Cepea e do IEA

Em relação à volatilidade média, os derivados lácteos (UHT e Muçarela) tem números semelhantes aos do boi gordo, que tem quase 4.000 contratos em aberto na B3.

Assim, em termos de variabilidade média diária de preços, os índices do UHT e Muçarela se mostraram bastante próximos do apresentado pelo boi gordo – commodity com enorme histórico de negociações na BM&F/B3. É claro que aspectos como o número de compradores e vendedores e padronização de qualidade de produto (enorme desafio para ambos os lácteos), além da questão das marcas de venda dos dois produtos, são aspectos importantes a serem estudados para uma futura análise da criação de mercados futuros de algum dos dois lácteos. Ao menos, em termos de volatilidade de preços destes mercados, a condição parece interessante para iniciar as conversas.
 

Fonte: MilkPoint
 

 

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